
Carnais...
Carnais,
sejam carnais
tantos desejos,
Carnais,sejam carnais
tantos anseios,
palpitações
e frêmitos
e enleios,
das harpas da emoçãotantos arpejos...
Sonhos, que vão,por trêmulos adejos,
a noite, ao luar,intumescer os seios
lácteos,de finos e azulados veios
de virgindade,de pudor,
de pejos...
Sejam carnaistodos os sonhos brumos
de estranhos, vagos,estrelados rumos
onde as Visões do amordormem geladas...
Sonhos,
palpitações,
desejos e ânsias
formem, com claridadese fragrâncias,
a encarnaçãodas lívidas Amadas!
Cruz e Souza
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e é isso moça
dos lábios em carmin
Estrela perigosa
rosto ao vento
barulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis.
Decompor a luz mistério
de estrelas paixão
pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam
conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa
como às vezes o cogumelo é.
No obscuro erotismo de vida
cheia nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos
se misturam
e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse
um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.
Estrela perigosa ~ Clarice Lispector
Música : Canção do Mar de Frederico de Brito & Ferrer Trindade por Dulce Pontes & Luciana Gonçalves
Fui bailar
no meu batel
além do mar
cruel
e o mar bramindo
Diz que eu
fui roubar
a luz sem par
do teu olhar
...tão lindo
Vem saber
se o mar terá
razão
vem cá ver
bailar
o meu coração
Se eu bailar
no meu batel
não vou ao mar
cruel
e nem lhe digo
aonde eu
fui cantar
do teu olhar
...tão lindo
Sorrir, bailar,
viver, sonhar
contigo
Vem saber
se o mar
terá razão
vem cá ver
bailar
o meu coração
se eu bailar
no meu batel
não vou
ao mar
cruel
e nem lhe digo
aonde eu
fui cantar
Sorrir, bailar,
viver, sonhar
contigo
