quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Till It Happens To You




Corinne Bailey Rae



Por que eu
te amo....



Eu sei que atrás
deste universo de aparências
das diferenças todas
a esperança é preservada
nas chícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido

Mas existe uma palavra
que não suporto ouvir
e dela não me conformo

Eu acredito em tudo
mas eu quero você agora

Eu te amo pelas tuas faltas
pelo teu corpo marcado
pelas tuas cicatrizes
pelas tuas loucuras todas

Minha vida 

Eu amo as tuas mãos
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas

Amo o teu jogo triste

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo

Eu amo a tua alegria
mesmo fora de si
eu te amo pela tua essência

Até pelo que você podia ter sido
se as marés das circunstancias
não tivesse te banhado
nas aguas do equivoco

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo
quando sozinha eu bordo
mais uma toalha de fim de semana

Eu te amo pelas crianças
e futuras rugas
te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis

Amo o teu sistema de vida e morte

Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual

Eu  te amo pelas tuas entradas ,
saídas e bandeiras

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa

Eu te amo  de alma para alma
e mais que as palavras
ainda que seja através delas
que eu me defendo

Quando digo que te amo
mais que o silencio dos momentos difíceis
quando o próprio amor vacila


Lia Luft




e então é isso
somente isso
moça bonita
novembro vem
do jeito que veio

mas agora é diferente
será?
serei?
seremos?

2o1o

aNTONIocARLos

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fruta mulher



Nana Caimmy




Frutos e flores 




Meu amado me diz
que sou como maçã
cortada ao meio.



As sementes eu tenho
é bem verdade.


E a simetria das curvas


Tive um certo rubor
na pele lisa
que não sei
se ainda tenho.
 


Mas se em abril floresce
a macieira
eu maçã feita
e pra lá de madura
ainda me desdobro
em brancas flores
cada vez que sua faca
me traspassa.


----------------Marina Colasanti




e é isso moça da pele madura!  

Antonio Carlos
2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Ribbon In The Sky


Stevie Wonder



Lamento

o lamento de lamentar
o que não se pode dar
o desespero de sentir
do peito o coração se despir

a lembrança ainda criança
a esperança talvez lembrança
vivendo o novo dia
como há muito não fazia

tudo é emoção
tudo é sensação
sentindo a dor
se desfazendo em amor

mas, sempre existe o mas,
condicionando a se aceitar
quando tudo que se quer
é somente se dar

mas o dar pode não ser o bastante
tênue como uma brisa
incontrolável como o mar
quanto mais perto se chega
mais longe ele está

outro amanhã vira
novas emoções outras sensações
e talvez o ontem, que muito prometia
seja o amanhã, que hoje se desvia.

 Dibruck



e é assim
sempre
não é?
e esta música
me faz lembrar você
moça bonita
voando junto comigo
somos duas gaivotas
asas abertas
sobre o mar revolto
lá embaixo
brancas espumas
salpicam de neve
as pedras
brisa suave
alimenta nosso voô
em direção ao por do sol
sempre
sempre
sempre


1/2beijo

antoniOCarlos

sábado, 30 de outubro de 2010

For Once In My Life


Tony Bennett & Stevie Wonder

Saber Amar... 


Não está disposto
na lei da vida
que duas pessoas
que se amam,
sabem amar.

Que uma delas não saiba,
e olha a relação
rolando pela ribanceira !

O normal
é as duas não saberem.

O raro é as duas saberem,
escassos exemplos de relação
em que a maturidade
não interfere na intensidade.

O habitual
é uma saber e agüentar
o rojão pela outra.

Amar quase sempre
atrapalha
a sabedoria do amor.

Porque amar
é um sentimento
de necessidade
nem sempre atendidas
de carência compensada,
doação exercida
ou entrega salvadora.

E isso é intenso demais
para coabitar
com a sabedoria do amor.

Saber amar!

Quanta gente prefere viver
com alguém que sabe amar,
mesmo que não o ame!

Quanto amor
pode brotar da relação
com quem sabe amar!

Quem sabe amar,
pode até realizar o milagre
de acabar recebendo
o amor de quem não o ama,
ou ama e não sabe,
porque quem sabe amar
conhece a linguagem sutil
do que está adormecido no outro,
em estado
de conto de fadas,
carência,
infância,
flor
ou adivinhação.

Sabe amar
quem sabe o outro
sem deixar de ser
quem é.

Saber amar
e conhecer o amor
como forma de arte.

O amor é apenas
um sentimento.

Mas saber amar
é uma criação,
uma estética do amor.

Saber amar
tanto é a flor
na hora certa,
o presente
fora de hora
ou a compreensão
do desamor,
do cansaço
e dúvida passageira.

Mas é,
com segurança absoluta,
o olhar fundo do sentimento,
o carinho preciso,
a mão firme,
a pele dialogando
de igual para igual,
gritando ou sussurrando
conforme a hora;

é a temperatura
da paz recobrada.


Saber amar,
não é a aceitação
passiva do outro.

É a existência ativa
do amor latente.

Saber amar,
implica conhecer virtudes
que o amor agudo não sabe:
esperar,
deixar fluir,
não invadir as dúvidas,
não abafar
nem impedir
(ainda que com carinho)
que a outra parte
ejete à tona
a angústia ou a dor.

Quem ama
desaba junto.

Que sabe amar
suporta esse desamor,
se passageiro, é claro,
porque quem sabe amar
conhece a medida exata
dos orgulhosos
que valorizam o amor.

Nada é pior
que a desistência
de quem sabe amar
do que o ferimento
ou a indiferença provocados
em quem ama.

Quem ama
tolera ser maltratado.

Quem sabe amar,
jamais.

Este jamais permanecerá
com quem maltrata
porque quer ser maltratado.

Quem ama,
quando cansa,
pode voltar a amar.

Quem sabe amar,
quando desliga
é para sempre.

E mais fácil afrontar
a quem ama
(um estado no qual
todos ficamos
meio sem caráter)
do que
a quem sabe amar.

Este conhece tanto
a importância de seu sentimento,
que quando o retira,
machucado,
incompreendido
ou ferido de morte,
é para sempre.

Quem ama
é mais inocente
do que quem sabe amar.

Mas quem sabe amar
é capaz de maldades maiores,
a partir do momento
em que desiste.

Desiste de saber amar,
porque pode
até continuar amando.

Cuidado com quem ama!

Mas cuidado maior
com quem sabe amar !

Quem perde um amor
perde muito menos
do que quem perde alguém
que sabe amar.

Saber amar não é depender.

Não é ser servil.

Não é viver agradando.

Não é fazer o que o outro quer.

Saber amar
é ter as reações certas,
de reação e crítica;
é ocupar todo o espaço
e no tempo do sentimento
e da emoção do outro.

Saber amar
é aquela parte que,
partindo do amor,
procura a parte do outro
que um dia saberá amar.

E a encontrando
tem paciência,
afeto e tolerância com ela.

A menos que descubra
que ela não merece.

Porque saber amar
é também ter a coragem
das renúncias,
bravura que raramente
tem quem
apenas ama.

[Artur da Távola]


e você?
ama
ou ainda não  sabe
me amar?

AntonioCarlos
2o1o

e continuamos a dançar...
hummm
tum tum tum

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Love Me Tender


Norah Jones


Prisioneira...



Sou uma prisioneira
de mim mesma

Confesso ao meu amado

São laços finos de dor

São correntes de pecados


Sou prisioneira
da sorte
de ter no sonho
a morte
de não poder fugir
de ti...


Sou prisioneira
de uma ilusão
louca

sublime beijo
entre lágrimas


língua náufraga
da tua boca!


(SilvaneSaboia)


...prisioneiro de mim
e daquilo
que sinto
por ti


Bom dia
Moça Querida!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quando a chuva passar


Paula Fernandes



DEPOIS...


Depois de ter tentado
e conseguido,
depois de ter obtido  
e  abandonado,
depois de ter seguido
e ter chegado,
depois de ter chegado
e prosseguido!


Depois de ter querido
e ter amado,
depois de ter amado
e ter perdido,
depois de ter lutado
e ter vencido,
depois de ter vencido
e fracassado!

Depois que o sonho comandou:
"  Avança!"

Depois que a vida ironizou:
" Criança!"

Depois que a idade sentenciou :
"Jamais!...

Depois de tudo
que escarnece
e exalta,
depois de tudo,
quando nada falta,
depois de tudo,
sempre ainda
falta muito
falta sempre
muito mais!

 ................ (Giuseppe Ghiaroni----)-->



 é isso
moça bonita..
depois de tudo
ainda
falta
tudo...

aNTONIocARLos
2o1o  

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

da benção



Vinicius de Moraes



tristeza...



Deve chamar-se tristeza

isto que não sei que seja
que me inquieta sem surpresa
saudade que não deseja.

Sim, tristeza - mas aquela
que nasce de conhecer
que ao longe está uma estrela
e ao perto está não a Ter.


Seja o que for,
é o que tenho.
tudo mais é tudo só.

E eu deixo ir
o pó que apanho
de entre as mãos
ricas de pó...

- fernando pessoa


e é isso
moça.
.
.
.
.
.
bonita
ponha um pouco de amor em sua vida...
quem sabe EU?


em outubro
2o1o

AntoniocarloS

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Queixa


Caetano Veloso


Que mistérios, afinal,
se escondem
por trás de uma rima?

Será que depende do tema,
ou será que independe
da teima do autor
em denunciar a dor,
que de amor queima?

Por que será que
tanto se rima amor e dor?

Será que dela depende apenas
a pena do autor?

Ou será por ele nunca ter brindado
o amor com uma flor?

Por que será que
nem sempre
uma grande amizade
rima com felicidade?

Será apenas
a pena do autor?

Que valor tem afinal
a rima caprichosa
de “amor”e “dor”?

Por que não brindá-lo
também com uma rosa?

Será que não vale a pena
a dor do amor?

Ah......
seja lá como for,
sentir pena é dor;
é dizer:
- que pena, Amor!

Inês Bicudo
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é assim?
outubro ou tudo!
2o1o
AnoniocarloS

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

É O Amor Outra Vez


Maria Bethânia



O Amor


O amor vale mais que uma religião;
o amor é a única religião que vale...

Que importam mesmo,
a recompensa ou o castigo?

É verossímil que Jesus,
como muitos judeus de seu tempo,
acreditasse numa vida depois da morte.

Mas também que percebeu cada vez mais
tudo o que uma crença assim
tinha de não essencial,
de anedótico,
de quase irrisório.

Primeiro porque não passa de uma crença,
que não se pode provar e que nada prova
- a não ser a mescla de ignorância
e de angústia que a suscita.

Depois, e sobretudo,
porque essa crença passa
á margem do essencial.

Ressurreição ou não,
que é que isso muda no valor
do amor, da justiça, do perdão?

E que isso muda, mesmo,
no sofrimento, na miséria, no horror?

A fé?

A esperança?

Cristo não tinha nem uma nem a outra,
explica Tomás de Aquino,
pois que apenas se pode crer e esperar
com a condição de não saber.

O argumento só é válido, claro,
na Suma Teológica,
porque se pressupõe a divindade de Jesus,
e, portanto sua onisciência.

Uma afirmação assim,
na pena do Doutor Angélico
( "Cristo não teve nem a fé nem a esperança" ),
confere, todavia, mesmo para os crentes,
um sentido singular
- singularmente forte,
singularmente exigente -
ao que um livro famoso chama,
é esse seu título,
"a imitação de Jesus Cristo".

Como imitar a esperança ou a fé dele,
se ele não tinha nem uma nem outra?

Como imitar outra coisa dele
senão o conhecimento e o amor?

Ponto em que juntamos a Spinoza,
mas não quero demorar-me aí.

Digamos, antes, que para o ateu que sou
a observação de Tomás de Aquino
("Cristo não teve a fé e a esperança, porque há imperfeição nelas; mas, no lugar da fé ele teve a visão a descoberto, e, no lugar da esperança, a compreensão plena"),

mesmo dependente de outra interpretação,
expressa por certo o essencial:
-o que Cristo sabia desde sempre,
se fosse Deus,
o que talvez tenha compreendido aos poucos,
se fosse apenas um homem,
como creio,
não foi simplesmente
que é o amor que salva,
não a fé,
não a esperança
(ou a fé somente no amor,
a esperança somente no amor),
que é o amor que é Deus,
e que isso é verdade desde agora,
já aqui na terra,
que não se deve esperar outra salvação
além do amor,
outra religião além de amar,
e tanto pior para nós
se não somos capazes disso,
se falta-nos sempre o amor,
se o ódio e a violência
vencem incessantemente
e nos arrastam...


Acontece-me pensar
que foi isso que Cristo
só compreendeu na cruz
- "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" - onde é nosso irmão realmente,
e o mais humano de todos os deuses:
porque conhece afinal
nossa solidão,
nossa miséria,
nosso desespero,
porque está do lado
dos fracos e das vítimas,
definitivamente,
porque é o único deus trágico,
aquele que sofre,
aquele que morre,
aquele que não é um deus,
porque descobre que o amor
jamais salvou ninguém,
e que é, contudo,
a única salvação
que se possa humanamente
desejar...


Enceta Tragoedia :
Deus está morto,
a humanidade começa,
e sempre
- numa cruz-
recomeça...

do Livro Bom Dia, Angústia! - p147 - André Comte-Sponville

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é isso Moça Bonita
no desejo de que o AMOR
te salve e arrebate!
BOM DIA
1/2 beijo 



cARLos

sábado, 23 de outubro de 2010

Alta Marea






Antonello Venditti



MAR ABERTO
 


Quero navegar no teu corpo
À luz de velas
Perdendo-me na maré dos teus abraços
Deslizando-me nas ondas do teu gosto
Afogando-me no prazer do teu cansaço.

Quero estar à deriva dos teus olhos
Porém a bordo do teu coração
Respirar a brisa em tua boca
Levitando por sobre as emoções.

Quero voar mais alto que as gaivotas
Indo e vindo ao sabor da maresia
Sem rumo, sem destino, não importa
Quero você em minha fantasia.
                                                       
                                                                            
Débora Bellentani

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e você minha Deusa?
onde estás fruta madura?
que numa madrugada destas
me levou à loucura...

Será que és um sonho
de um paraíso
ou de uma eterna procura?

Vem pra mim
não fiques nesta lonjura
me coloca na boca
e no corpo
um pouco da tua doçura


vem?

Ah!Carlos