sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mulher Polvo & Homem Cobra I






Propaganda enganosa


Propaganda enganosa,
mas hormonalmente verdadeira!


Quando o cobra
a viu pela primeira vez,
sentiu-se tremendamente
atraído por ela.

O mesmo aconteceu
com a polvo,
que ficou impressionadíssima
com ele.

Ambos sentiram na pele
que algo muito diferente
estava acontecendo.

Adrenalina, endorfina
e outras “inas”
começaram a ser
descarregadas no sangue.

O coração queria saltar pela boca
e o corpo estremecia
de emoções e prazer...

Até parecia
que se procuravam
havia muito tempo.

Eis que, de repente
estavam frente a frente
com a sua cara-metade,
sua alma gêmea encarnada.

Bastou que seus olhares
se encontrassem
para sentirem
uma vontade imensa
de se aproximar.

Ao primeiro ai!
que cada um disse,
o outro se encantou
com o mavioso som
que envolvia seus ouvidos.

A voz de um
fazia o corpo do outro
vibrar.

Nunca na vida
o cobra falara tanto
nem a polvo ouvira outra pessoa
com tamanho interesse.

Não se cansavam de conversar.

O que um dizia
despertava no outro
um compartilhar maravilhoso.

Um assunto trazia outro,
que trazia um terceiro,
todos engraçados e interessantes.

Parecia que só os dois
existiam no meio de tanta gente...

Nem perceberam o tempo passar.

O cobra sentia
uma vontade louca de beijá-la.

Entre uma palavra e outra,
percebia como o corpo
daquela mulher era escultural.

A polvo nunca se sentira
tão protegida, respeitada
e cuidada por nenhum outro homem...

Falavam de tudo,
menos do que realmente
estavam sentindo.

Mas o que as palavras não diziam
os olhos já estavam transmitindo
havia muito tempo.

A despedida foi um sofrimento.

Não queriam
que esse momento chegasse,
e tudo era motivo
para falarem um pouquinho mais.


Como se estivessem
vivendo felizes num sonho,
eles não queriam acordar.

Depois desse primeiro encontro,
a insegurança despertou-lhes
muitas dúvidas.


Ambos estavam certos
de ter vivido
o "amor à primeira vista",
mas receavam que
tudo não tivesse passado
de um sonho
e que a magia
não se repetisse no reencontro.

O que havia entre eles
era tão precioso quanto frágil
e poderia ruir
num leve sopro de decepção.

O cobra evitava ligar para a sua amada.

Ele não se arriscaria
a um mal-entendido
que pudesse colocar a polvo
como dona da situação.

Ela também receava
procurá-lo e parecer
"uma garota muito fácil”..

Uma polvo sabe
que um cobra valoriza
a conquista de algo
que nenhum outro conseguiu,
mas despreza
o que lhe foi fácil obter.

O grande trunfo da polvo
é proporcionar ao cobra
a sensação da conquista,
quando, na realidade,
é ela que determina
os passos dele.

Um esperava o sinal do outro.

Haviam se gostado tanto
que ansiavam por uma
reaproximação perfeita.

A polvo já ligara
para todas as amigas
e colhera informações
sobre o pretendente
com o melhor amigo dele.

O cobra mergulhou
profundamente em si mesmo
para definir a melhor estratégia de ação,
pois isso, sim,
era de sua competência...

Enfim, chegou
o tão esperado e decisivo reencontro.

Todas as dúvidas
se dissiparam no primeiro sorriso,
e aqueles tormentosos
momentos de expectativa
sumiram para dar lugar
ao clima maravilhoso
que já conheciam.

O que eles imaginavam ser impossível
estava acontecendo:
o toque das mãos,
os corpos em sintonia,
as energias esquentando o casal...

Foram se descobrindo
e notando que tudo
era ainda melhor
do que no primeiro encontro.

Vieram o toque,
o abraço e o beijo,
que marcou um novo
e inconfundível momento
de entrega mútua.

Ele jamais colocara
tanto amor num beijo,
e ela percebeu quanto era desejada.

A polvo o recebia
dentro de sua boca,
mas também já queria
recebê-lo por inteiro.

O cobra começava
a estar dentro dela
e queria cada vez mais
conquistar aquele território.

O que o cobra mais desejava
era ter sexo com ela,
fazê-la chegar ao orgasmo
nunca antes atingido,
torná-la sua para sempre.

A expressão máxima
do amor do cobra
é possuir a sua fêmea.

O que a polvo mais queria
era sentir-se amada
e desejada por ele,
pertencer-lhe
para todo o sempre.

A expressão máxima
do amor da polvo
é cuidar do seu homem
e dar-lhe muitos filhos.

Mas o cobra sabe que,
para possuir a fêmea,
deve cuidar dela e protegê-la,
impedindo que outros cobras
se aproximem.

Ele tem de colocá-la
em seu território,
sob seu absoluto controle
- ainda que deseje
espalhar seus genes
além do seu território,
em fortuitos encontros
com outras fêmeas.

A polvo se excita
só de sentir
quanto é desejada pelo cobra.

A expressão do seu amor
é ter o homem sempre consigo,
nos seus braços, nutri-lo,
agasalhá-lo, acariciá-lo, beijá-lo
e dizer muitas e muitas vezes
quanto o ama.


O casamento se torna inevitável,
determinando uma mudança radical
para o cobra.

Agora ele tem de ser fiel à polvo
e renunciar ao seu instinto
de divulgador de genes para o mundo.

A polvo também se transforma.

Manter o território em ordem
passa a ser sua maior preocupação,
atitude que exige também do cobra.

E ele, que jamais pensou nessas coisas,
tem de colaborar
com a ordem, a higiene
e até com a beleza de seu território.


O que talvez o cobra nem suspeite
é que tudo está escrito
nos seus cromossomos,
na sua genética.

Impelido pela testosterona,
o macho procura fêmeas
para espalhar seus genes mundo afora.

Mas nada lhe garante
que a fêmea perpetuará seus genes,
daí a necessidade biológica
de mantê-la sob seu poder.

Já para a fêmea,
a descendência está assegurada
mesmo que ela tenha filhos de vários pais.

Para atrair o macho,
ela precisa ter quadris largos
que agasalhem bem a gravidez,
seios fartos para alimentar os filhos dele
e beleza, gerando belos machos que,
por sua vez, atrairão suas fêmeas.

Mas, como a natureza
deu ao homem o instinto
da autopreservação,
ele primeiro satisfaz
as próprias necessidades e desejos
para depois pensar
na perpetuação da espécie.

Primeiro o sexo,
depois a paternidade.

O que o cobra não sabe
é que ele,
que se sente tão conquistador,
foi na verdade atraído pela fêmea no cio.

Quanto à polvo,
talvez não imagine quanto ela
se torna sexualmente atraente
pela inundação do estrogênio,
o hormônio que a leva para o cio.

Sua pele fica mais sedosa,
seus cabelos mais exuberantes,
seus lábios mais carnudos.

Ela escolhe trajes minúsculos,
berrantes e ousados,
que cobrem o mínimo possível
de sua pele.

Seus movimentos se tornam ondulantes,
seus seios ficam mais cheios
e pulam para fora de tudo
o que é usado para controlá-los.

Até sua voz fica mais sedutora
– tudo determinado pelos cromossomos,
para demonstrar como ela pode
agasalhar bem os genes de um macho.

E eles que se cuidem,
pois são escolhidos
conforme sua capacidade
de prover e proteger bem
as fêmeas e seus filhos,
garantindo sua sobrevivência.

Portanto, é preciso ter
ombros largos, músculos fortes,
boas mandíbulas,
ar inteligente,
olhar esperto e competitivo,
até mesmo mostrar-se agressivo
para se sobressair
dos demais machos.

Mesmo que, após o cio,
o óvulo não tenha sido fecundado
por um dos 300 milhões
de espermatozóides
que se lançam freneticamente
à sua procura,
a mulher entra na fase da progesterona.

É o preparo para a maternidade,
que a torna menos receptiva ao macho.

Quanto mais aumenta
o nível de progesterona,
mais as roupas cobrem o corpo
e menos a fêmea permite
a aproximação do sexo oposto.

Ela fica avessa aos machos
e pode tornar-se irritada, agressiva,
depressiva e inchada.

Dorme de costas para o companheiro
- e ele, caso tente se aproximar,
pode até levar um coice...

O cobra não tem
o hormônio da paternidade,
só o do reprodutor.

Ele não entende nada
do que está acontecendo.

Dias atrás,
ela até pulava em cima dele.

Agora, sem que nada
tenha acontecido,
ela o rejeita.

No seu raciocínio
de causa-efeito,
ele logo conclui:
ela só pode estar tendo um caso!

Mas a polvo,
usando um dos seus tentáculos,
pode acolher o companheiro
como a um filho.

Ela fica com pena dele,
coitadinho, tão necessitado...

Não custa nada "deixá-lo ir";
afinal, ele é apenas um macho
que só pensa "naquilo".

Se é "bom" para ele,
ela também fica feliz...

Os cromossomos
determinam a vida sexual
de todos os animais,
inclusive a dos seres humanos.

Talvez a única diferença fundamental
seja o "como somos"
da espécie humana,
que nos dá a racionalidade e,
conseqüentemente,
a inteligência, a criatividade
e motivações muito diferentes
das simplesmente biológicas.

Assim, o "como somos"
criou o amor,
a espiritualização
e a educação,
transformando
o simples ritual biológico
do instinto sexual
numa história de amor
única e verdadeira
para cada
casal de amantes.

A propaganda enganosa
fica por conta dos cromossomos,
que continuam determinando
novas atrações
- que, por sua vez,
o "como somos"
teima em chamar de paixões,
romances, idílios,
galanteios, sonhos,
devaneios...

O homem-cobra
jura eterna fidelidade,
enquanto seu instinto sexual
o instiga a espalhar genes
pelo mundo agora.

A mulher-polvo promete
"dar filhos ao seu homem",
mas dificilmente os entrega...


Homem Cobra, Mulher Polvo - Içami Tiba
1ª parte...


amanhã tem mais...rs

2010
antoniOCarlos
mas se precisar...pode me procurar

Frase do dia: Abra bem os olhos antes de casar. Mantenha-os semicerrados depois.


Música :- TENDÊNCIAS - IVONE LARA & FUNDO DE QUINTAL.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fear of Flying...




Fear of Flying...



O que se passava
com meu casamento afinal?

Mesmo amando meu marido,
chegava aquele inevitável ano
em que trepar com ele
ficava tão insípido quanto queijo fundido:

saciante, engordativo até,
mas sem qualquer efeito
sobre as papilas gustativas,
sem travo agridoce,
sem perigo.

Quando o que se deseja
é um Camenbert bem maduro,
um raro queijo de cabra,
de sabor acentuado, cremoso, diabólico.

Eu não era contra o casamento.

Acreditava nele de verdade.

Era necessário
ter um bom companheiro
num mundo hostil,
uma pessoa a quem
ser fiel incondicionalmente,
uma pessoa que também
fosse fiel sempre.

Mas, e quanto a todos
aqueles outros anseios que,
após algum tempo,
o casamento não conseguia satisfazer?

A inquietação, o desejo,
o palpitar das entranhas,
o palpitar da vagina,
o anseio de ser preenchida,
de ser fodida por todos os orifícios,
a ânsia por champanhe seco
e beijos molhados,
pelo perfume de peônias
numa cobertura
em uma noite de junho,
pela luz no final do cais
em “Gatsby”...


Não essas coisas, na verdade
– porque era sabido
que os muito ricos
eram mais enfadonhos
do que nós outros - ,
mas o que elas evocavam.

O sardônico,
agridoce vocabulário
das canções de amor
de Cole Porter,
as letras tristes e sentimentais
de Rogers e Hart,
todas as tolices românticas
pelas quais suspira
metade de nosso coração
e das quais a outra metade
zomba cruelmente.

Ser mulher nos Estados Unidos.
Que perigo!

Crescia-se com os ouvidos
entupidos de anúncios
de cosméticos,
canções de amor,
colunas de conselheiros,
revistas masculinas,
mexericos de Holywood
e dilemas morais
ao nível de novelas de televisão.

Que litanias
a publicidade da boa vida
nos entoava!

Que curiosos catecismos!

“Cuide de seu traseiro”.
“Enrubesça, com se o quisesse”.
“Ames seus cabelos”.
“Quer um corpo melhor? Podemos consertar o seu”
“Aquele brilho em seu rosto deve vir dele, não de sua pele”.
“Você percorreu um longo caminho, benzinho”
“Como marcar pontos com todos os homens do Zodiaco”
“Os astros e você sempre sensual”
“Para um homem, Cutty Sark”
“Um diamante é para sempre”
“Se você esta preocupada com as duchas...”
“Duração e frescor andam juntos”
“Como resolvi meu problema de odor intimo”
“Madame, mantenha-se fresca”
“Toda mulher adora Chanel N°5”
“O que faz uma garota tímida ficar intima?”
“Femme, este nome é por sua causa”


O que todos estes anúncios
e todas as revistas masculinas
pareciam sugerir
era que se você, ao menos,
fosse suficientemente narcisista,
se tomasse os devidos cuidados
com seu odor, seus cabelos,
peitos, cílios, axilas,
sua região púbica,
seu horóscopo,
suas cicatrizes
e com a escolha da marca
do uísque no bar

– haveria de encontrar
um homem rico, bonito,
poderoso e potente
que satisfaria cada desejo seu,
preencheria todos os buracos,
faria seu coração dar um salto
(ou parar de bater),
a faria sonhar
e a levaria até a lua
(de preferência sobre asas diáfanas),
onde você viveria
totalmente feliz para sempre.

E o aspecto mais doido
disso tudo era que,
mesmo se você fosse inteligente,
mesmo que passasse sua adolescência
lendo John Donne e Shaw,
mesmo que estudasse
história ou zoologia ou física
e esperasse dedicar a vida
seguindo alguma carreira difícil
e cheia de desafios

– ainda assim teria a cabeça cheia
daquelas baboseiras
a que toda ginasiana se entregava.

Não faria diferença
se o seu QI fosse 170 ou 70,
você não escapava da lavagem cerebral.

Apenas a aparência exterior era diferente.

Apenas o papo era um pouco mais sofisticado.

Por baixo de tudo,
você sonhava em ser
aniquilada pelo amor,
ser suspensa no ar,
ser preenchida
por um pau gigantesco
jorrando esperma,
espuma de sabão,
sedas e cetins e, é claro,
dinheiro.

Ninguém se preocupava em lhe dizer
como era o casamento realmente.

Você nem possuía,
como as moças européias,
uma filosofia de cinismo e praticidade.

Você esperava não desejar outros homens
após o casamento.

E esperava que seu marido
não desejasse outras mulheres.

Então, os desejos surgiam
e você se via tomada pelo pânico
do auto-desprezo.

Como podia ser tão má?

Como podia continuar
apaixonando-se por homens estranhos?

Como podia ficar
observando dessa forma
o volume que crescia
dentro das calças deles?

Como podia participar de uma reunião,
imaginando a maneira de trepar
de cada um dos homens da sala?

Como podia viajar num trem,
fodendo homens estranhos com os olhos?

Como podia fazer tudo aquilo
com seu marido?

Alguma vez alguém lhe disse
que talvez aquilo
não tivesse nada
absolutamente a ver
com o seu marido?

E o que dizer daqueles outros anseios
que o casamento sufocava?

Aquela vontade
de cair na estrada de vez em quando,
de descobrir se você ainda
conseguiria viver sozinha
sem sua própria cabeça,
descobrir se você
conseguiria sobreviver
em uma cabana no bosque
sem enlouquecer,
descobrir em suma,
se ainda era uma pessoa inteira
após tantos anos sendo
a metade de algo

(como o parceiro que faz
as patas traseiras
de uma fantasia de cavalo
no teatro de variedades).


Cinco anos de casamento
haviam me feito comichar
por todas essas coisas:

comichar por homens,
comichar por solidão.

Sentia cócegas por sexo
e por uma vida reclusa.

Sabia que essas comichões
eram contraditórias –
e aquilo tornava as coisas piores.

Sabia que minhas comichões
eram anti-americanas –
o que tornava as coisas ainda piores.


Nos Estados Unidos,
é heresia adotar qualquer modo de vida
que não seja como a metade de um casal.

A solidão é anti-americana.

Pode até ser tolerada num homem
– em especial se ele for
um “solteiro glamouroso”
que “sai com aspirantes a estrela”
durante um breve intervalo
entre casamentos.


Mas se uma mulher é sozinha,
sempre se presume
que é por ter sido abandonada
e não por sua escolha.

E ela é tratada de acordo:
como paria.


Simplesmente não existe
uma maneira digna
de uma mulher viver sozinha.


Oh, ela pode ser
bem-sucedida financeiramente,
talvez (embora não tanto quanto um homem),
mas emocionalmente nunca é deixada em paz.

Seus amigos, sua família,
seus colegas de trabalho,
nunca a deixam esquecer
que o fato de não ter um marido,
de não ter filhos
– seu egoísmo, em suma - ,
é uma afronta
para o modo de vida americano.

Mais exatamente: a mulher
(mesmo sabendo como suas amigas casadas são infelizes)
não pode nunca ficar sozinha consigo mesma.

Vive como se estivesse constantemente
a beira de alguma grande realização.


Como se estivesse esperando
que o Príncipe Encantado
a carregasse para longe “ de tudo aquilo”.

Tudo o que?

A solidão de viver dentro
de sua própria alma?

A certeza de ser ela mesma
e não a metade de outra coisa?

Minha resposta a tudo aquilo
não era (ainda não)
ter um caso
e nem (ainda não)
cair na estrada,
mas desenvolver minha fantasia
da foda sem zíper.

Que seria mais do que uma foda.

Era um ideal platônico.


Sem zíper,
pois quando dois se juntavam,
os zíperes se abriam
como pétalas de rosa,
roupas de baixo
se desmaterializavam a um sopro
como felpas de dente-de-leão.

Línguas se entrelaçavam
e tornavam-se liquidas.


Toda sua alma
se escoava para entrar
pela boca de seu amado.

Para a verdadeira e definitiva
foda sem zíper de primeira classe,
era necessário que você não viesse
a conhecer o homem muito bem.

Eu havia notado, por exemplo,
que todas as minhas paixonites
se dissolviam tão logo eu me tornava
realmente amiga de um homem,
começava a compreender seus problemas,
ouvia seu “kvetch” ( Iídiche = queixa )
com relação a esposa
ou as ex-esposas,
a mãe, aos filhos.

Depois disso,
passava a gostar dele,
talvez até a amá-lo
- porém sem paixão.


E o que eu queria era paixão.

Também havia aprendido
que um modo certeiro
de exorcizar uma paixão
era escrever a respeito de alguém,
observar seus tiques e cacoetes,
anatomizar sua personalidade
no texto datilografado.

Depois disso,
ele se transformava num inseto
preso por um alfinete,
num recorte de jornal plastificado.

Eu poderia apreciar sua companhia,
até admirá-lo em algumas ocasiões,
mas ele já não tinha o poder
de fazer-me acordar tremula
no meio da noite.

Eu não mais sonhava com ele.

Ele já tinha um rosto....


Érica Jong – no livro Fear of flying (Medo de voar)




É isso?
então, sem medo de voar meu amor...
antoniOCarlos
Fevereiro
2010


"O amor comeu
minha paz e minha guerra.
Meu dia e minha noite.
Meu inverno e meu verão.
Meu silêncio,
minha dor de cabeça,
meu medo da morte."

João Cabral de Melo Neto


Frase do dia: Se não queres perder-te no esquecimento logo ao morrer, ou escrevas coisas dignas de ler-se ou faças coisas digna de escrever-se.


Música : Julio Iglesias & Dalida- La Vie En Rose

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como te contei...vem comigo?

Se quiser saber detalhes da foto ( quando tiver) basta colocar o cursor sobre a mesma...

Então moça bonita

Pega tua mochilinha, tênis e vem comigo...
Nem biquini precisa, porque nestas praias seremos só nos dois e Deus...
ENJOY IT!

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Cananéia

Distância de São Paulo: 277 km

Uma das cidades mais antigas do Brasil, Cananéia está no litoral sul do Estado de São Paulo, na área do Vale do Ribeira.
Além de um complexo ecossistema, o município conserva importantes elementos históricos, como vestígios pré-históricos e construções que datam do período colonial.
Entre as atrações da região está a selvagem Ilha do Cardoso, com fauna e flora riquíssimas.

Cananéia e seus arredores permitem a prática variada de esportes de aventura.

Como chegar :
Saindo de São Paulo, Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) até o quilômetro 200. Não tem sinalização indicando...risos
De lá, siga pela SP-226 até Cananéia.
Cananéia foi descoberta em 1530 por Martin Afonso de Souza
e por isso pode se avistar uma Caravela em Cima do Portal da Cidade na Av. Idependencia, principal via de acesso.
A cidade conserva os casarios do Século XVII.

Tem a Matriz de São João Batista erguida pelos jesuítas em 1577, a construção foi restaurada em 1769.
Nela, há uma imagem de São João Batista, esculpida em madeira policromada e ornamentada com um esplendor de prata.
Outro passeio interessante é percorrer a pé o roteiro do Casario Colonial.
As casas datam dos séculos 18 e 19 e boa parte delas ainda mantém as fachadas preservadas.

Ilha do Cardoso :


Ela impressiona pelo relevo.
Montanhas de 800 m de altura convivem com planícies, dunas, mangues, sítios arqueológicos, dez praias gigantescas e quatorze cachoeiras que abrigam raras espécies de animais.

Árvores altas, como cedros e jequitibás, com mais de 50 m de altura, protegem 100 espécies de orquídeas, 41 de bromélias e 400 aves catalogadas.

Entre elas, encontramos garças, biguás, atobás, papagaios-de-cara-roxa, fragatas e muitas outras.
Dentre os animais maiores estão os macacos bugio e mono carvoeiro, veado mateiro, jacaré-do-papo-amarelo, lontra e, no mar, cinco espécies de tartarugas marinhas e o simpático boto cinza, que costuma aparecer na Baía do Trapandé (entre Cananéia e a Ilha do Cardoso), fazendo acrobacias aquáticas para chamar a atenção dos visitantes.

No Parque Estadual da Ilha do Cardoso, fundado em 1962, com mais de 22 mil hectares, existem interessantes ruínas de construções coloniais do ano de 1502 e muitos sambaquis, que são amontoados de conchas e moluscos com mais de três mil anos, vestígios arqueológicos de restos alimentares de populações pré históricas.

Hoje, a ilha é habitada por seis comunidades, dentre elas a Vila do Marujá, o principal vilarejo de pescadores, no sul da ilha.

Muitas destas casas caiçaras costumam virar pensão nos finais de semana, feriados e férias, quando as pousadas da ilha ficam lotadas de visitantes.

Vamu?

1/2 beijo sabor mariscos ao vinagrete!
:)

A LUA




você
eu
e...
a LUA...




Lua,
rouba meus ares
pra iluminares,
mais que o neon,

ruas,
bares e lares
onde roubares
é um gesto bom...

Frias
noites vazias
sem harmonia
fora do tom

Dias
Em que eu perdia
tua companhia
pelo Leblon

Medo de ser vencida
você se viu traída

Levou no ventre a vida...

Minha voz já se esvaia
quando veio a poesia,
me trouxe onde eu queria
pra afogar tua agonia;

tentar todas as
vias

pra volta tua,
pra casa tua,
pros dedos meus

Sua,
toda água é tua,
grávida e nua
graças a Deus

Dama
me ama,
me mama,
me une na cama
ao feto meu

Musa,
lambe,

lambuza,
me usa,

me abusa...

Sou filho teu


Ana e a Lua - Tayguara

e é isso
moça do sorriso
Minguante...
luz da lua no semblante!

Cheia...
com a maré dos olhos
em vazante
ondas de lágrimas
sobre os olhos meus.

Ontem sonhei
com olhos e lábios de mel
com tua pele branca
sobre a cama, nua
branca como a luz da lua
que brilhava lá no céu



Antonio Carlos
Fevereiro
2010


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A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!

(Paulo Leminski)

Frase do dia: A "Terra Prometida" fica sempre do outro lado do deserto...




Música : Arte Final - Lua

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

ALEGRIA...





ALEGRIA...



Alegria

Não, eu não quero prazer!
Eu quero alegria!

Era isso o que dizia
uma das amantes de Tomás,
o médico de A Insustentável Leveza do Ser.

E Tomás ficava perdido
porque prazer ele sabia dar,
é coisa de receita fácil,
mora no corpo.

Mas alegria é coisa mais sutil,
mora na alma,
no lugar das fantasias e da saudade.

Há um jeito fácil de saber
se o que se sente é prazer ou alegria.

Basta prestar atenção no corpo.

Se ele for ficando
cada vez mais pesado, é prazer.

Se for ficando
cada vez mais leve, é alegria.


Todo mundo já experimentou isso
num churrasco ou numa feijoada,
a comida é gostosa,
agrada boca e nariz,
boca sempre cheia,
dentes incansáveis,
mais uma cervejinha e, aos poucos,
a gente vai ficando desanimado,
estufado, incomodado,
não agüenta mais.

Pena que o costume romano
de ter um vomitório
em cada refeitório tenha sido esquecido,
quem sabe algum arquiteto imaginoso
vai convencer um dono de restaurante
a introduzir tal progresso
no seu estabelecimento.


O prazer é sempre assim
– ao final o corpo diz:

Chega! Não agüento mais!

E isso é verdade também
para as coisas do amor carnal.

No ônibus a mocinha incansavelmente
se dedicava a abraçar, acariciar, apalpar,
beijar, mordiscar o namorado,
coitadinha, pensando que assim
os desejos dele seriam acesos
de forma incontrolável
e ele nunca mais a abandonaria.

Fiquei com dó dela,
por não entender das coisas do prazer,
e dele, pois de forma alguma
gostaria de estar na sua pele.

O final, que não presenciei,
era inevitável: ela seria mandada embora.

E era justamente isso
que o Tomás fazia
com todas as suas amantes:
não deixava que nenhuma delas
dormisse em sua casa.

Terminada a orgia do amor,
tratava de chamar um táxi
e despachá-las para suas casas,
porque sua maquineta de prazer
não era realejo que fica tocando
enquanto se gira a manivela.

Há manivelas que,
depois de algumas voltas,
se recusam a girar de novo,
ficam emperradas.

Assim é a máquina do amor
– tanto nos homens quanto nas mulheres.

Com a alegria é diferente.

O corpo vai ficando cada vez mais leve;
quanto mais come,
com mais fome fica.

Você vai dizer que não pode ser,
que não existe jeito
de comer sem se encher.

Pois eu digo que tudo tem a ver
com a fome que se tem
e com a comida que se come.

Foi justamente isso
que pôs meu realejo de pensamento
a funcionar.

E esse realejo, posso assegurar,
não precisa de manivela
para produzir música,
é moto-contínuo,
movido por alegria,
pois pensar é uma alegria,
brincar com as idéias,
como se fosse criança brincando:

criança não se cansa,
só pára de brincar
por imposição dos superiores,
pois brinquedo,
além de dar prazer,
dá alegria também.


E é por isso que mesmo quando
o corpo é obrigado a parar,
a cabeça desobedece
e continua a brincar.

O que não é o caso do prazer,
pois quem seria louco
de continuar a comer
a feijoada no pensamento,
se o estômago não agüenta mais?

Barriga que se encheu
gostaria mesmo é de se esquecer
do que comeu...

Uma outra diferença é que o prazer,
para acontecer, precisa que a coisa exista.

Ele precisa da feijoada,
do churrasco,
da boca que dá o beijo.

Já a alegria, para haver,
não precisa que a coisa exista.

O que me faz pensar
que ela deve ser
mais divina que o prazer pois,
a se acreditar no Riobaldo,

Deus é aquele que é,
mesmo quando não existe.

A alegria é coisa de criança.

Pois criança se alegra
com qualquer coisa,
bolinha de gude, pião,
casa de toquinho,
torre de dominó,
panelinha de fazer comidinha,
coisa do mundo de faz-de-contas.

E percebi que também sou assim.

Claro que meu pensamento
sabe trabalhar as coisas importantes.


Mas quando ele está livre
e não lhe dou uma tarefa a cumprir,
ele anda vagabundo como criança,
do jeitinho do Menino Jesus
como conta Alberto Caeiro,
brincando com idéias sem importância,
como os riachinhos, as cachoeiras,
as saracuras, os pintassilgos,
os pica-paus, as araucárias,
um inútil monjolo velho,
um forninho de barro que ainda não fiz,
as galinhas d’angola que ainda não estão lá,
uma casinha que vou fazer para a minha neta,
tudo lá nos ermos da Mantiqueira,
mesmo quando lá não estou,
só na imaginação,
que é o lugar onde a alegria vem,
me faz virar menino

e começo a voar como o Peter Pan.

Pra quem não sabe,
é bom prestar atenção.

Assim também é o amor.

Para alguns, a dita pessoa amada
é só objeto de prazer,
feijoada, comeu, gostou, ficou cheio, enjoou...

Para outros a pessoa amada
é alegria leve do pensamento,
que brinca com ela mesmo quando está longe.

Esses estarão sempre com fome...

Ruben Alves - 31/7/93 - in Teologia do Cotidiano
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


e eu ?
sempre com muita fome de ti
moça dos lábios carmin
delirantes
e dos olhos faiscantes
assim
pura alegria
e prazer..........

e é isso!
Antonio Carlos
2o1o

Frase do dia : A mentira é uma verdade que se esquece de acontecer


Música : Recado do Tempo; Isabella Taviani

domingo, 14 de fevereiro de 2010

SONATA & XADREZ





SONATA
& XADREZ



“Ela não atendeu ao telefone no dia seguinte e no outro.
E um dia depois, esta carta:

..................................

Noite de quarta feira 21/12

Caro Richard:

É muito difícil saber
como e por onde começar.

Estive pensando
por muito tempo e a fundo,
através de muitas idéias,
tentando encontrar um meio...

Finalmente me ocorreu
uma pequena idéia,
uma metáfora musical,
através da qual pude
pensar claramente
e encontrar a compreensão,
se não algo que ao menos
a satisfaça.

Quero partilhá-la com você.

Assim, por favor,
peço que me suporte,
enquanto passamos
por outra lição musical.

A forma mais comumente usada
para as grandes obras clássicas
é a da sonata

É a base de quase todas
as sinfonias e concertos.


Consiste de três partes principais :

a exposição ou abertura,
em que pequenas idéias e motivos
são explorados ao máximo,
expandindo ,
muitas vezes passando
de maior (feliz)
para menor (infeliz)
e voltando,
sendo desenvolvidos
e entrelaçados em complexidade maior,
até que finalmente vem :

a recapitulação,

em que existe uma reapresentação,
uma gloriosa expressão
da maturidade plena e rica
que as pequenas idéias
alcançaram através do processo
de desenvolvimento.

Você pode perguntar
como isso se aplica a nós,
se ainda não percebeu.

Eu nos vejo embatucados
numa abertura interminável.

A principio,
foi a coisa real, pura delicia.

É a parte de um relacionamento
em que a pessoa
se mostra em seu melhor :

divertida, encantadora,
excitante, interessante, interessada.

É um tempo em que a pessoa
se sente mais tranqüila
e mais cativante,
porque não experimenta
a necessidade
de levantar suas defesas;

assim, a parceria aconchega
um ser humano afetuoso,
ao invés de um cacto gigantesco.

É um tempo de prazer para ambos
e não é de admirar
que você goste tanto de aberturas
que se empenhe em tornar a sua vida
uma sucessão delas.

Mas os primórdios
não podem ser
prolongados interminavelmente;

não podem simplesmente
ser expostos e reexpostos.

Devem seguir adiante
e se desenvolverem
---
ou morrer de tédio.


Não é bem assim, você diz.


Deve se afastar,
ter mudanças,
outras pessoas,
outros lugares,
a fim de que possa voltar
a um relacionamento,
como se fosse novo,
para ter constantes
princípios novos.

Nós seguimos adiante
numa sucessão prolongada
de reaberturas.

Algumas foram causadas
por separações profissionais
que eram necessárias,
mas se mostraram
desnecessariamente
duras e rigorosas
para duas pessoas
tão chegadas como nós.


Algumas foram fabricadas por você,
a fim de dispor
de mais oportunidades
de voltar à novidade
que tanto deseja.

Obviamente,
a parte de desenvolvimento
é um anátema para você.

Pois é a parte em que você
pode descobrir
que tudo o que possui
é uma coletânea de idéias
bastante limitadas
que não funcionam,
não importa quanta criatividade
lhes acrescente, ou
--- que é ainda pior para você ---
que tem o material
para alguma coisa gloriosa,
uma sinfonia,
em cujo caso há trabalho a realizar;

profundezas devem ser sondadas,
entidades separadas
cuidadosamente entrelaçadas,
o melhor para glorificarem
a si mesmas e umas às outras.

Suponho que é análogo
ao momento de escrever
em que não se pode fugir
ou não se deve fugir
à idéia de um livro.

Não resta a menor duvida
de que fomos muito mais longe
do que você jamais tencionou.

E paramos pouco antes
do que eu considerava
como os nossos próximos passos,
lógicos e maravilhosos.

Tenho testemunhado
o desenvolvimento com você
continuamente contido,
passei a acreditar
que nunca faremos mais
do que tentativas esporádicas
em nosso potencial de aprendizado,
em nossas espantosas
similaridades de interesses,
não importa quantos anos
possamos ter
--- porque nunca teremos
um tempo ininterrupto juntos.

Assim, torna-se impossível
o crescimento que tanto prezamos
e sabemos que é possível.

Ambos tivemos
uma visão de algo maravilhoso
que nos aguarda.

Contudo não podemos chegar lá,
a partir do ponto
em que nos encontramos.

Estou diante de uma
sólida muralha de defesas
e você tem a necessidade
de construir mais e ainda mais.

Anseio pela riqueza e plenitude
do desenvolvimento adicional
e você procurará meios de evitá-lo,
enquanto estivermos juntos.

Nós dois ficamos frustrados;

você é incapaz de voltar,
eu sou incapaz de seguir adiante,
num estado de luta constante,
com nuvens e sombras escuras
sobre o tempo limitado
que você nos concede.

Sentir a sua constante
resistência a mim,
ao crescimento
desse algo maravilhoso,
como se eu e isso
fossemos uma coisa horrível
--- experimentar as varias formas
que a resistência assume,
algumas cruéis
--- muitas vezes me causa sofrimento,
em um nível ou outro.

Tenho um registro
de nosso tempo juntos
e fiz uma analise profunda
e sincera.

Entristeceu-me
e até mesmo me chocou,
mas foi-me útil
para enfrentar a verdade.

Recordo dos dias
do principio de julho
e as sete semanas
que se seguiram
como nosso único
período realmente feliz.

Isso foi abertura e foi linda.

Depois,
houve as separações,
com o desligamentos arrebatados
e para mim inexplicáveis
--- e a igualmente terrível
evitação-resistencia em suas voltas.

Longe e apartados
ou juntos e apartados
é uma situação por demais infeliz.

Estou me observando
virar uma criatura
que chora muito,
uma criatura
que deve chorar muito,
pois quase não parece
que a compaixão é necessária
antes que a bondade seja possível.

Eu sei que não cheguei
até esse ponto da minha vida
para me tornar digna de compaixão.

Ser informada
que cancelar o seu encontro
para me ajudar,
quando eu me encontrava
em estado de crise,
“não daria certo para você”,

fez com que a verdade
desabasse em cima de mim
com a força de uma avalanche.

Encarando os fatos
tão honestamente quanto
me é possível,
sei que não posso continuar,
não importa o quanto assim deseje;
não posso me inclinar ainda mais.

Espero que você
não considere isto
como o rompimento de um acordo,
mas sim como a continuação
dos muitos e muitos finais
que você tem iniciado.

Acho que é uma coisa
que ambos devemos saber.

Eu devo aceitar que fracassei
em meu esforço de fazê-lo conhecer
as alegrias da afeição.


Richard,
meu precioso amigo,
isto é dito suavemente,
até mesmo ternamente,
com amor.

E os tons suaves
não servem para camuflar
uma raiva por trás;
são autênticos.

Não há acusações,
responsabilidades ou culpas.

Estou simplesmente
tentando compreender
e estancar a dor.

Estou enunciando
o que fui forçada a aceitar:

que você e eu
nunca teremos um desenvolvimento,
muito menos
a gloriosa expressão climática
de um relacionamento
desenvolvido ao máximo.

Tenho sentido
que se alguma coisa em minha vida
mereceu um afastamento
de padrões anteriormente estabelecidos,
indo alem de todas
as limitações conhecidas,
foi justamente
o nosso relacionamento.

Suponho que poderia
estar justificada
em me sentir humilhada
por todos os meus esforços
para que desse certo.

Em vez disso, porem ,
sinto-me orgulhosa de mim mesma
e contente por saber
que reconheci a rara
e maravilhosa oportunidade
que desfrutamos
enquanto a tivemos.

Dei tudo o que eu podia,
no sentido mais puro e elevado,
a fim de preservá-la.

É o que me conforta agora.

Neste momento horrível do final,
posso sinceramente dizer
que não conheço
nenhuma outra coisa
que poderia fazer
para nos levar ao lindo futuro
que poderíamos ter.

Apesar do sofrimento,
estou feliz por tê-lo
conhecido desta maneira especial
e sempre guardarei na memória
o tempo que passamos juntos.

Cresci com você e aprendi muito.

Sei também que fiz
grandes e positivas contribuições
a você.

Ambos somos
pessoas melhores
por havermos entrado em contato.


A esta altura, tão tardia,
ocorre-me que uma metáfora do xadrez ...

.....poderia também ser útil.

O xadrez é um jogo
em que cada parte
possui o seu próprio
objetivo singular,
mesmo quando
se confronta com a outra;

um meio do jogo
em que se desenvolve
e intensifica uma luta,
em que se perdem fragmentos,
de cada lado,
ambos ficando reduzidos;
a um fim de jogo
em que uma parte acua
e paralisa a outra.

Creio que você
vê a vida como uma partida de xadrez;
eu vejo como uma sonata.

E por causa dessas diferenças
tanto o rei como a rainha
são perdidos,
a canção
é silenciada.

Ainda sou sua amiga,
como sei que você também
é meu amigo.

Envio esta carta
com um coração repleto
do mais profundo e terno amor,
com toda a consideração
que tenho por você,
como não ignora,
além de um imenso pesar
por ficar incumprida
uma oportunidade
tão cheia de promessa,
tão rara e tão bela.”“.

Leslie
...................................


Fiquei olhando
pela janela para o nada,
um barulho estrondeando
em minha cabeça.

Ela esta errada.

É claro que esta errada.

A mulher não compreende
quem eu sou ou como penso.

É uma pena, pensei.

Depois,
amassei a carta
e joguei-a para longe.

Fragmentos - Ponte para o sempre
Richard Bach
Capitulo 30 - Pág 188-

Nota: Este trecho é cópia da carta real que Leslie que hoje é a mulher dele, escreveu durante as idas e vindas do inicio da relação.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Então é isso moça bonita
tenha um lindo e azul domingo

½ beijo deste simples pescador de ilusões, com o barco derivando neste teu olhar de intenções

antoniocarlos
em fevereiro
2o1o

PERGUNTA DO DIA BEM SUGESTIVA: Qual a diferença entre transar com o papa e transar com o marido? Transar com o papa é pecado e transar com o marido é milagre!



Música:- THE PIANO - SOUNDTRACK

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A moça da voz..




Não sei porque me lembrei da voz da moça do Aeroporto...

Íris Lettieri fez vários trabalhos na área, mas ter sua voz amplificada por 27 anos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, sem dúvida, foi sua tarefa mais interessante.
Reconhecida como ‘a voz mais bonita dos aeroportos do mundo’, Íris também foi a primeira mulher a atuar como locutora de telejornais do Brasil.
Por curiosidade, a voz dela aparece também na música “Crack Hitler” do Faith No More, uma vez que os integrantes da banda quando estiveram no Brasil, ficaram encantados com a tonalidade sexy da voz dela.

...

Moça, moça...




Noite alta
frente a Lua
rebrilhando
no meu rosto,
uma mulher
é todo canto
que em meu ouvido
assobia.

A sua voz eu escuto,
e minha mão acaricia
o que chama
por seu corpo.

Cadê o cais?

Onde o porto
em que possa
me render?

Abraço a noite vazia.

Nada sei
senão o tom
da sua voz
que me sacia
pelo fio do telefone,
que passa

por não sei onde
e leva não
sei a quê.

Moça,moça,
cadê você?


Você sabia moça bonita
que volta e meia
na seção de Achados e Perdidos
também tem sujeitos perdidos de amor
(como eu )
e mulheres que são um achado
(como você?)...

e é isso!

AntonioCarlos
Fevereiro
2010


Frase do dia : Quem se obstina em busca da verdade merece a punição de encontrá-la ...



Música : Milton Nascimento - Outro Lugar

Cê sabe que as canções
são todas feitas pra você
e vivo porque acredito
nesse nosso doido amor

Não vê que tá errado,
tá errado me querer
quando convém


E se eu
não estou enganado
acho que você
me ama também

O dia amanheceu
chovendo
e a saudade me contém

O céu já tá estrelado
e tá cansado de zelar
pelo meu bem

Vem logo
que esse trem
já tá na hora,
tá na hora de partir

E eu já to molhado,
to molhado de esperar
você aqui

Amor eu gosto tanto,
eu amo,
amo tanto o seu olhar

Andei por esse mundo louco,
doido, solto
com sede de amar

Igual a um beija-flor,
que beija-flor,
de flor em flor
eu quis beijar

Por isso não demora
que a historia passa
e pode me levar

E eu não quero ir,
não posso ir pra lado algum
enquanto não voltar

Não quero que isso aqui
dentro de mim
vá embora
e tome outro lugar

Talvez a vida mude
e nossa estrada
pode se cruzar


Amor,
meu grande amor,
estou sentindo
que está chegando
a hora

de dormir.........................................

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Taj Mahal




Baber, o grande,descendente de Gengis Kahn, invadiu a Índia em 1.565, trazendo o seu povo guerreiro da Ásia Central.

Os Moghul, de sangue mongol, islâmicos de religião, de cultura e língua persa, criaram na Índia um império de glória e elegância.

O Imperador Shah-Jahan foi o genial edificador dessa dinastia.

Shah-Jahan viveu um sonho de amor quase irreal.
Ele amou e desposou Arjumand Banu Begun, que, mais tarde,se tornaria imortal, com o nome de Muntaz-Mahal.



Shah-Jahan e a bela Arjumand casaram-se e tiveram 13 filhos!
Nenhuma das trezentas mulheres que compunham o seu harém o fazia feliz.
O príncipe não queria saber de mais ninguém...
Arjumand Begun era jovem, linda e inteligente.
Como Imperatriz, revelou-se excelente conselheira do marido nas complicações oriundas das questões de Estado.
Tornou-se querida do povo pela sua caridade e pela dedicação ao Imperador.
Quando o 14º filho de Shah-Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as dores do parto e morreu.
O príncipe desesperado quase também morreu de tristeza e desgosto.
Deixou para sempre as vestes reais e nunca mais abandonou o luto.
Desolação e lágrimas amargas encheram então a sua vida.
Em três meses, conta a história, a barba negra de Shah-Jahan embranqueceu.
Para abrigar o corpo da sua amada, ele decidiu construir um palácio.
Mandou comprar os melhores mármores, encomendou rubis e jades para decorar o mais belo túmulo que alguém poderia ter.
Mandou vir os mais famosos arquitetos e artistas do império persa e mongol para a construção do Monumento, que representou todo o seu amor por Mumtaz-Mahal:


O Taj Mahal.


Vinte mil trabalhadores estiveram ocupados durante anos para erguê-lo.
Ordenou que se construísse o túmulo para a bem-amada segundo as seguintes orientações:

"Que não seja fúnebre, pois deverá celebrar a curta vida de um amor."
"A sua beleza e graça hão de recordar eternamente a mulher, sem envelhecer."
"Será um sonho de mármore edificado na fronteira delicada entre o real e o irreal, como a própria paixão".

O Taj Mahal foi erguido em Agra, quando a cidade era a capital do império Mongol, entre os séculos XVI e XVIII.
Demorou 22 anos para ser construído e ficou pronto em 1653.
Shah Jahan resolveu então construir um novo palácio, onde ele próprio seria enterrado. Mas os filhos não deixaram o príncipe cometer mais essa loucura e prenderam-no numa fortaleza.
A simplicidade do desenho e a suntuosidade da realização misturam-se numa maravilha de arte que compete, em matéria de sublime beleza, com os templos gregos e as mais famosas catedrais da Idade Média e do renascimento.



Um comprido espelho d' água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam.
Quatro torres laterais protegem a construção. Ao centro, o grande palácio de mármore branco.
A cúpula maior, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém tivesse soprado o seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principale fazem lembrar grandes turbantes árabes.
Devido ao revestimento em mármore branco, o templo pode ser visto a mais de 40 quilômetros de distância e nas noites de céu limpo reflete o brilho da lua.
É considerado um monumento ao amor e a sua beleza é admirada no mundo inteiro.
Quando Shah Jahan morreu, também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado do seu amor.
Shah-Jahan e Arjumand Begun dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo.

Lloraba un alma enamorada
lágrimas, dolor, pena, llanto
un corazón entona su triste canto
una mano, cansada, tras su ventana cerrada

Allí desde su palacio, desde su ventana
admira aquella lágrima blanca
poesía hecha arte, arte que la pasión arranca
para ti, mi amada, mi esposa, mi alma hermana...


E é isso moça bonita
Seria um conto das 1001 noites, se não fosse real...
Porque na realidade Taj Mahal é um monumento a paixão.
Sim, esta paixão que muitos dizem que acaba com o tempo...
Você acredita? Eu também não.

1/2 beijo apaixonado então!


Fevereiro
2010
antoniOCarlos

Frase do dia: Se você está perseguindo uma coisa, isso significa que elá esta fugindo de você

Música : Meditation - Ravi Shankar

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um pouco de arte, poesia e tecnologia

Da dor sempre é possível tirar alguma arte...da arte sempre é possível perceber alguma poesia e da poesia smpre é possível mais arte, quando se usa a tecnologia...

Sendo assim, vai aí , um pouco de arte, poesia e tecnologia


enjoy it
1/2 bj
AntonoCarlos