
Propaganda enganosa
Propaganda enganosa,
mas hormonalmente verdadeira!
Quando o cobra
a viu pela primeira vez,
sentiu-se tremendamente
atraído por ela.
O mesmo aconteceu
com a polvo,
que ficou impressionadíssima
com ele.
Ambos sentiram na pele
que algo muito diferente
estava acontecendo.
Adrenalina, endorfina
e outras “inas”
começaram a ser
descarregadas no sangue.
O coração queria saltar pela boca
e o corpo estremecia
de emoções e prazer...
Até parecia
que se procuravam
havia muito tempo.
Eis que, de repente
estavam frente a frente
com a sua cara-metade,
sua alma gêmea encarnada.
Bastou que seus olhares
se encontrassem
para sentirem
uma vontade imensa
de se aproximar.
Ao primeiro ai!
que cada um disse,
o outro se encantou
com o mavioso som
que envolvia seus ouvidos.
A voz de um
fazia o corpo do outro
vibrar.
Nunca na vida
o cobra falara tanto
nem a polvo ouvira outra pessoa
com tamanho interesse.
Não se cansavam de conversar.
O que um dizia
despertava no outro
um compartilhar maravilhoso.
Um assunto trazia outro,
que trazia um terceiro,
todos engraçados e interessantes.
Parecia que só os dois
existiam no meio de tanta gente...
Nem perceberam o tempo passar.
O cobra sentia
uma vontade louca de beijá-la.
Entre uma palavra e outra,
percebia como o corpo
daquela mulher era escultural.
A polvo nunca se sentira
tão protegida, respeitada
e cuidada por nenhum outro homem...
Falavam de tudo,
menos do que realmente
estavam sentindo.
Mas o que as palavras não diziam
os olhos já estavam transmitindo
havia muito tempo.
A despedida foi um sofrimento.
Não queriam
que esse momento chegasse,
e tudo era motivo
para falarem um pouquinho mais.
Como se estivessem
vivendo felizes num sonho,
eles não queriam acordar.
Depois desse primeiro encontro,
a insegurança despertou-lhes
muitas dúvidas.
Ambos estavam certos
de ter vivido
o "amor à primeira vista",
mas receavam que
tudo não tivesse passado
de um sonho
e que a magia
não se repetisse no reencontro.
O que havia entre eles
era tão precioso quanto frágil
e poderia ruir
num leve sopro de decepção.
O cobra evitava ligar para a sua amada.
Ele não se arriscaria
a um mal-entendido
que pudesse colocar a polvo
como dona da situação.
Ela também receava
procurá-lo e parecer
"uma garota muito fácil”..
Uma polvo sabe
que um cobra valoriza
a conquista de algo
que nenhum outro conseguiu,
mas despreza
o que lhe foi fácil obter.
O grande trunfo da polvo
é proporcionar ao cobra
a sensação da conquista,
quando, na realidade,
é ela que determina
os passos dele.
Um esperava o sinal do outro.
Haviam se gostado tanto
que ansiavam por uma
reaproximação perfeita.
A polvo já ligara
para todas as amigas
e colhera informações
sobre o pretendente
com o melhor amigo dele.
O cobra mergulhou
profundamente em si mesmo
para definir a melhor estratégia de ação,
pois isso, sim,
era de sua competência...
Enfim, chegou
o tão esperado e decisivo reencontro.
Todas as dúvidas
se dissiparam no primeiro sorriso,
e aqueles tormentosos
momentos de expectativa
sumiram para dar lugar
ao clima maravilhoso
que já conheciam.
O que eles imaginavam ser impossível
estava acontecendo:
o toque das mãos,
os corpos em sintonia,
as energias esquentando o casal...
Foram se descobrindo
e notando que tudo
era ainda melhor
do que no primeiro encontro.
Vieram o toque,
o abraço e o beijo,
que marcou um novo
e inconfundível momento
de entrega mútua.
Ele jamais colocara
tanto amor num beijo,
e ela percebeu quanto era desejada.
A polvo o recebia
dentro de sua boca,
mas também já queria
recebê-lo por inteiro.
O cobra começava
a estar dentro dela
e queria cada vez mais
conquistar aquele território.
O que o cobra mais desejava
era ter sexo com ela,
fazê-la chegar ao orgasmo
nunca antes atingido,
torná-la sua para sempre.
A expressão máxima
do amor do cobra
é possuir a sua fêmea.
O que a polvo mais queria
era sentir-se amada
e desejada por ele,
pertencer-lhe
para todo o sempre.
A expressão máxima
do amor da polvo
é cuidar do seu homem
e dar-lhe muitos filhos.
Mas o cobra sabe que,
para possuir a fêmea,
deve cuidar dela e protegê-la,
impedindo que outros cobras
se aproximem.
Ele tem de colocá-la
em seu território,
sob seu absoluto controle
- ainda que deseje
espalhar seus genes
além do seu território,
em fortuitos encontros
com outras fêmeas.
A polvo se excita
só de sentir
quanto é desejada pelo cobra.
A expressão do seu amor
é ter o homem sempre consigo,
nos seus braços, nutri-lo,
agasalhá-lo, acariciá-lo, beijá-lo
e dizer muitas e muitas vezes
quanto o ama.
O casamento se torna inevitável,
determinando uma mudança radical
para o cobra.
Agora ele tem de ser fiel à polvo
e renunciar ao seu instinto
de divulgador de genes para o mundo.
A polvo também se transforma.
Manter o território em ordem
passa a ser sua maior preocupação,
atitude que exige também do cobra.
E ele, que jamais pensou nessas coisas,
tem de colaborar
com a ordem, a higiene
e até com a beleza de seu território.
O que talvez o cobra nem suspeite
é que tudo está escrito
nos seus cromossomos,
na sua genética.
Impelido pela testosterona,
o macho procura fêmeas
para espalhar seus genes mundo afora.
Mas nada lhe garante
que a fêmea perpetuará seus genes,
daí a necessidade biológica
de mantê-la sob seu poder.
Já para a fêmea,
a descendência está assegurada
mesmo que ela tenha filhos de vários pais.
Para atrair o macho,
ela precisa ter quadris largos
que agasalhem bem a gravidez,
seios fartos para alimentar os filhos dele
e beleza, gerando belos machos que,
por sua vez, atrairão suas fêmeas.
Mas, como a natureza
deu ao homem o instinto
da autopreservação,
ele primeiro satisfaz
as próprias necessidades e desejos
para depois pensar
na perpetuação da espécie.
Primeiro o sexo,
depois a paternidade.
O que o cobra não sabe
é que ele,
que se sente tão conquistador,
foi na verdade atraído pela fêmea no cio.
Quanto à polvo,
talvez não imagine quanto ela
se torna sexualmente atraente
pela inundação do estrogênio,
o hormônio que a leva para o cio.
Sua pele fica mais sedosa,
seus cabelos mais exuberantes,
seus lábios mais carnudos.
Ela escolhe trajes minúsculos,
berrantes e ousados,
que cobrem o mínimo possível
de sua pele.
Seus movimentos se tornam ondulantes,
seus seios ficam mais cheios
e pulam para fora de tudo
o que é usado para controlá-los.
Até sua voz fica mais sedutora
– tudo determinado pelos cromossomos,
para demonstrar como ela pode
agasalhar bem os genes de um macho.
E eles que se cuidem,
pois são escolhidos
conforme sua capacidade
de prover e proteger bem
as fêmeas e seus filhos,
garantindo sua sobrevivência.
Portanto, é preciso ter
ombros largos, músculos fortes,
boas mandíbulas,
ar inteligente,
olhar esperto e competitivo,
até mesmo mostrar-se agressivo
para se sobressair
dos demais machos.
Mesmo que, após o cio,
o óvulo não tenha sido fecundado
por um dos 300 milhões
de espermatozóides
que se lançam freneticamente
à sua procura,
a mulher entra na fase da progesterona.
É o preparo para a maternidade,
que a torna menos receptiva ao macho.
Quanto mais aumenta
o nível de progesterona,
mais as roupas cobrem o corpo
e menos a fêmea permite
a aproximação do sexo oposto.
Ela fica avessa aos machos
e pode tornar-se irritada, agressiva,
depressiva e inchada.
Dorme de costas para o companheiro
- e ele, caso tente se aproximar,
pode até levar um coice...
O cobra não tem
o hormônio da paternidade,
só o do reprodutor.
Ele não entende nada
do que está acontecendo.
Dias atrás,
ela até pulava em cima dele.
Agora, sem que nada
tenha acontecido,
ela o rejeita.
No seu raciocínio
de causa-efeito,
ele logo conclui:
ela só pode estar tendo um caso!
Mas a polvo,
usando um dos seus tentáculos,
pode acolher o companheiro
como a um filho.
Ela fica com pena dele,
coitadinho, tão necessitado...
Não custa nada "deixá-lo ir";
afinal, ele é apenas um macho
que só pensa "naquilo".
Se é "bom" para ele,
ela também fica feliz...
Os cromossomos
determinam a vida sexual
de todos os animais,
inclusive a dos seres humanos.
Talvez a única diferença fundamental
seja o "como somos"
da espécie humana,
que nos dá a racionalidade e,
conseqüentemente,
a inteligência, a criatividade
e motivações muito diferentes
das simplesmente biológicas.
Assim, o "como somos"
criou o amor,
a espiritualização
e a educação,
transformando
o simples ritual biológico
do instinto sexual
numa história de amor
única e verdadeira
para cada
casal de amantes.
A propaganda enganosa
fica por conta dos cromossomos,
que continuam determinando
novas atrações
- que, por sua vez,
o "como somos"
teima em chamar de paixões,
romances, idílios,
galanteios, sonhos,
devaneios...
O homem-cobra
jura eterna fidelidade,
enquanto seu instinto sexual
o instiga a espalhar genes
pelo mundo agora.
A mulher-polvo promete
"dar filhos ao seu homem",
mas dificilmente os entrega...
Homem Cobra, Mulher Polvo - Içami Tiba
1ª parte...
amanhã tem mais...rs
2010
antoniOCarlos
mas se precisar...pode me procurar
Frase do dia: Abra bem os olhos antes de casar. Mantenha-os semicerrados depois.
Música :- TENDÊNCIAS - IVONE LARA & FUNDO DE QUINTAL.











