sábado, 25 de setembro de 2010

Passional








40 GRAUS DE FEBRE

Pura?
Que vem a ser isso?

As línguas do inferno
são baças,
baças como as tríplices
línguas do apático,
gordo Cérbero
que arqueja junto à entrada.

Incapaz
de lamber limpamente
o febril tendão,
o pecado, o pecado.

Crepita a chama.

O indelével aroma
de espevitada vela!

Amor, amor,
escassa a fumaça
rola de mim
como a echarpe de Isadora,
e temo
que uma das bandas
venha a prender-se na roda.

A amarela
e morosa fumaça
faz o seu próprio elemento.

Não irá alto
mas rolará em redor do globo
a asfixiar o idoso e o humilde,

O frágil
e delicado bebê no seu berço,
a lívida orquídea
suspensa do seu jardim suspenso no ar,
diabólico leopardo!

A radiação faz
que ela embranqueça
e a extingue em uma hora.

Engordurar os corpos
dos adúlteros
tal qual as cinzas de Hiroshima
e corroê-los.

O pecado.
O pecado.

Querido, a noite inteira
eu passei oscilando,
morta, viva,
morta, viva.

Os lençóis opressivos
como beijos de um devasso.

Três dias.

Três noites.
água de limão, canja

Aguada, enjoa-me.

Sou por demais pura
para ti ou para alguém.

Teu corpo
magoa-me
como o mundo magoa Deus.

Sou uma lanterna —
minha cabeça uma lua
de papel japonês,
minha pele de ouro laminado
infinitamente delicada
e infinitamente dispendiosa.

Não te assombra
meu coração.

E minha luz.

Eu sou, toda eu,
uma enorme camélia
esbraseada e a ir e vir,
em rubros jorros.

Creio que vou subir,

Creio que posso ir bem alto —

As contas de metal ardente
voam, e eu, amor, eu
sou uma virgem pura
de acetileno
acompanhada de rosas,
de beijos, de querubins,
do que venham a ser
essas coisas rosadas.

Não tu, nem ele
Não ele, nem ele

(Eu toda a dissolver-me,
anágua de puta velha) —
ao Paraíso.




Sylvia Plath - tradução de Afonso Félix de Souza

 



antonio carlos
se...tembro

2o1o
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e é isso moça bonita
veja este mimo...
La Vie En Rose & Non, Je Ne Regrette Rien
tenha um lindo sábado

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